quarta-feira, 27 de junho de 2007

Um sem alma.


Noites vão, dias vêm, aparentemente sem nenhum jogo de palavras nem mudanças no script. Nenhuma troca justa. As horas se repetem uma após as outras e eu abro os olhos pela manhã trinta segundos antes do despertador cumprir o seu dever, quase inútil. O cigarro e a cerveja continuam matando, sem descanso, enquanto leio as reprises das notícias das folhas de jornal. Meus passos seguem os rastros formados nos dias e vidas anteriores, um círculo vertiginoso que enoja minha úlcera logo cedo.

Já descansei das torturas da incompreensão. Há tempos que nenhuma inquietude atreve-se. Quero que busquem, qualquer dia, um ponto qualquer de meu sacro caminho e encontrem um corpo ativo preso numa alma inanimada. Nas cavidades onde antes fitavam meus olhos, encontrem o vazio. Gritem seus piores horrores e descarreguem o peso das conseqüências de suas escolhas sobre meus ombros. Depois engulam seco meu descontraído desdém.

Espero que não sejam tão bobos. Torço pra que não aceitem a armadilha que minha carne proporá. Sorrisos que estão para sangrar, mordem antes de morrer.

2 comentários:

Leticia disse...

Morpheus... ele é assim... Dream

Alessandro disse...

É preciso um outro passo, que seja para fora da rotina, desta rotina ou de outra qualquer.

A única coisa é que está muito escuro e não se sabe, de verdade, se o próximo passo será algo revelador ou a lama que nos faz afundar mais um pouco em... nem sei o que mais. :-)