quinta-feira, 28 de junho de 2007

A minha música

Esta é a história de um amigo. Ele existe. A mãe, esquecida, não o buscava na escola. Ele ficava ali no portão, sozinho. Quase ninguém prestando atenção à sua solidão, até que...


A Minha Música

Ei, quem é você? Porque me olha com essa cara de dó? Nunca viu um cara triste sentado na calçada? O que você quer saber de mim? Quer saber quem eu sou, né?

Pois eu digo.


Sou o que sou, o que fui e serei.

É que eu choro, ontem criança, na porta da escola. Hoje eles me esquecerão outra vez.
- O que foi, menino?
- Mamãe... ela não v-veio me buscar...
Bom que eu aprendo sozinho o caminho. Mas carinho, amparo, proteção... nada disso é demais quando se é pequeno.

Uma vez eu me olhei no espelho e me vi grande, 20 anos, com minha sombra cantando aquela música. E olhando de novo, com 20 anos, enxergando o garoto de seis no espelho, verei que você me abandonava, me esquecia mais uma vez. Só que você já será outra pessoa.

Eu sou o que sou, o que fui e serei. Tudo ao mesmo tempo. Porque não muda. Porque carregarei comigo a dor que não pude negar.

E vivi marcado por isso.


Mas eu marquei o caminho de volta. Não precisarei mais do amparo dos que deviam me amar, na verdade, tão ausentes. Sou gente grande e posso mudar tudo. E se no fim nada der certo,
ao menos o menino continuou a ter sua música.

Então eu também o vejo, fazendo o velho caminho da escola para a casa. São outros tempos - ele canta a música, baixinho, para si mesmo (é, o personagem recorrente!)...

4 comentários:

Paulo Cezar Filho disse...

Gostei da fotografia, encontrei o texto dentro dela e depois de ler o texto, reencontrei a fotografia.

Paulo Cezar Filho disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
adestrador de lesmas disse...

lembra algum filme mudo

Charles Chaplin ??

belissimo

um abraço

Alessandro disse...

Não, não Chaplin.

Não poderia ser mudo, pois até há um ensaio de diálogo. :-)

Apenas a vida e uma confidência são os ingredientes deste pequeno bolo, caro Adestrador.

Abraço a você! Abraços a todos!