sábado, 23 de junho de 2007

Talvez e certeza


Talvez e Certeza

Noutro tempo, o primeiro... a casualidade de ter estado no lugar onde aquelas pessoas estiveram... elas buscando respostas, ele as carregando na mochila - ainda que não fossem as respostas definitivas. Ou eram o erro absoluto?

Não sabe muito bem o porquê. No sofá da sala onde existe o aniversário da amiga, um universo de pensamentos o atordoa, junto àquelas amáveis pessoas tão mais cheias de vitalidade que ele - afinal, há o violão, a música e a vontade de comemorar. Gosta de estar, mas o ritmo é outro.

Interno. Canta baixinho, repetindo a canção e oferecendo-a aos próprios ouvidos, no exercício de re-buscar-se ali, refletindo na letra da música, puro cristal.

O exercício é também tentativa de eliminar a interrogação do texto que o martela na mente a cada dia. Começar a envelhecer não é do jeito que pensava. Percebe o risco. Um começo de fim por adaptar-se às regras do jogo? O que importa menos, quando se sabe que é possível sabotar o regulamento. Se seguir o caminho certo, está bom. Mas... quão bom pode estar? E que caminho, afinal?

Por isso, anda com os mais jovens e de espírito contestador. Os que ainda não são massa sem reação e reacionária. Os que estão nos coletivos, como quaisquer outros, mas que não exibem a face sem expressão, como a maioria. Os que não têm as respostas, mas que têm em seus olhares o brilho do puro cristal. "Então, que busquemos juntos", pensa. Assim, não lhe parece que o mundo possa ir tão mal.

Talvez a busca não esteja sendo feita da forma correta - e ele já não é mais tão jovem para erros. Ou talvez seja um vampiro involuntário da juventude alheia, sugando sem se dar conta a energia de quem está ao redor.

Seja qual for o talvez que se tornará certeza, se é que haverá a certeza, ele gosta de estar ali, com aquelas pessoas, os ditos amigos. São poucos, mas bons.

Texto com base em:

Um comentário:

Paulo Cezar Filho disse...

conheço três ou quatro sujeitos desse tipo....nenhum do Los Hermanos.