domingo, 1 de julho de 2007

Amplidão

Um continho de amor, porque assim como os discos precisam de canções de amor, os livros precisam de algumas dessas tais histórias. E, se um dia calhar de só haver a literatura na minha vida - vai saber -, fica mais fácil pagar as contas assim... eh eh eh! Bom, vamos ao conto, que é baseado numa música do grupo norueguês Jaga Jazzist, Oslo Skyline.


Amplidão

Ampla.

A paisagem que se vê pela janela do ônibus. Esta que nos leva a outros lugares, outros tempos. Uma viagem dentro da viagem que fazemos.

É mais agradável assim, quando percebemos o todo da natureza ao redor da estrada - de mãos dadas. Realmente estamos juntos. E não me culpo por querer que seja sempre assim.

Ternura...

Mas quem saberia, de verdade?

O horizonte, distante, mas disponível ao toque do olhar, mostra uma história que não se revela. Não o futuro imediato. Não o final da história, em que um de nós cede e cada qual segue um caminho diverso. Pela morte ou pela vida.

Preferiria simplesmente deixar de pensar nisto e simplesmente me ver homem em seus olhos, não importando o que antes chamei de verdade ou o que um dia eu possa vir a chamar, que se sinta mulher em meus braços enquanto trilhamos o caminho conhecido de tantos e inédito a nós.

O momento. Algo que não se explica.

Transbordamos.

Mesclamos-nos em nossa jornada. Com os céus e as montanhas. Mesmo os arranha-céus da cidade onde deveremos chegar estão plenos de nós e do que espalhamos. Enxergo além da janela do ônibus. Você é a minha paisagem. Ampla.


Um comentário:

Paulo Cezar Filho disse...

Esse eu tive o prazer de ler ainda na fase embrionária, lembro que fiquei com medo de molhar o papel, pois alguém derrubara, pouco antes, cerveja (ou teria sido caipirinha?) na mesa.