quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Metrô



Chove e sob mundo, submundo

percorro a cidade

O silêncio reina na estação, já é tarde

O homem por trás do vidro não sorri

Entrega-me o bilhete feito máquina

As máquinas, é fato, não sorriem

Outrora trabalharam humanos aqui

Houve um tempo em que olhavam nos olhos

Nos olhos! É o que a lenda nos diz

Mas as máquinas por trás dos vidros

Não são pagas para serem gentis.


Chove e sob o mundo, as escadas rolam em vão

Pois desço à moda antiga, faço questão

Fortalecendo as pernas e a crença

De que posso viver sem a presença

Da civilização...pura ilusão

As placas gritam e obedeço

Nunca desça à guia!

Eu não desço

Devido a chuva, velocidade reduzida

E o meu consolo, diante das coisas sem vida

É que agora posso vê-la

A chuva que não será interrompida

Pois não há máquinas para contê-la.

3 comentários:

Paulo Cezar Filho disse...

Não seja tão otimista Mhel, parece que os Chineses já estão fazendo alguma coisa nesse sentido.

Ramon Alcântara disse...

Nossa crença: Um dia as máquinas criaram humanos que não se comportem como elas, eles vão sorri e nem vão desenhar placas..... coisas de futuro!

Tatit disse...

placas. são super funcionais. com elas evita-se o contato das pessoas desagradáveis que podem pedir informações. quanto mais placas, menos incomodado o funcionário-máquina será.