sexta-feira, 31 de agosto de 2007
SMOKE ON THE WATER
segunda-feira, 27 de agosto de 2007
Trilogia do Medo - 3. Lucky

sábado, 25 de agosto de 2007
Trilogia do Medo - 2. Travesti

Travesti
all is rock. and roll.
todas as mulheres
e as drogas.
é o tempo de esvaziar-se
para preencher-se.
os tempos são hard. core.
sólidos apenas os obstáculos que, por covardia, você não quer ver
tudo o que você não queria.
traveste-se de alegria.
amanhã
é outro dia...
Beijos e abraços prophanos!
Trilogia do Medo - 1. Suas Raízes

você precisa
encara seu medo!
a montanha-russa...
- ok, vamos!
a altura... faz tremer...
agora você pode morrer feliz...
e livre!
Beijos e abraços prophanos!
Nietzsche, Schopenhauer, Sistemas, a Imprensa Vampírica e Sair pra Ver o Sol
Os temas da conversa, da manhã, de algumas vidas.
Dois velhos jovens e letrados amigos conversam no Metrô. Já conformados com o fato de que nada vai mudar. Conformados com a natureza. A humana.
Um capta idéias para um futuro texto. Este. Já não é mais futuro, então.
Eles provocam. Eles sabem.
Não muito distante, uma chiquita hermosa fita um, fita outro. Sol forte de verão em pleno inverno. Eles devolvem com discrição o fitar, apesar que um fixa-se mais. Nenhuma palavra sobre, mas também todas as palavras são pra eles. Pra ela – um pouco.
Talvez uma estudante de História ou Serviço Social. Ou uma consumidora de programas de TV para a massa embrutecida. Ou tudo ao mesmo tempo num pacote aprazível aos olhos.
Despercebem ou não querem perceber o senhor que se põe ao lado. Ele ouve e fita também. Sol repleto de verão no murcho inverno, patriótico inverno. Porque sabe que aquele povo é feito pelo e para o sol. Um deles, um dos velhos jovens e letrados amigos, desce.
Beijos e abraços prophanos a todos!
quarta-feira, 22 de agosto de 2007
segunda-feira, 20 de agosto de 2007
Logorreia, Seborreia e coisas afins
Diria-se apenas uma vez e jogaríamos no lixo e estariam futuramente de volta totalmente transformadas. Não seria negar o dom da palavra ou a discrepância da fala. Seria apenas uma necessidade solúvel. Ou algo que se valesse apenas do momento. Pois se cada momento é único, porque não a palavra ou a frase.
Ficaríamos apenas a ouvir, todavia não repetindo em hipótese alguma a dita cuja. Estariamos menos expostos a dúvidas que, no cotidiano da verborrágia, apenas nos faz deglutir mais e mais idéias enfadonhas.Faríamos então da conversa uma caixinha de surpresa constante.
Uma fluente experimental de ensejos, um relicário, um meio simples de nos tornarmos diferenciados.
Um exemplo de frases desconexas:
- "Não consigo!";
- "Não dá pra deixar pra amanhã?!";
- "Devia ter feito diferente.";
- "Desisto";
- "Se";
- "Não" (esta aprendi antes de dizer mamãe)
Que droga de frases são estas?!
E olhe que são apenas poucos exemplos de coisas fúteis. Quem começou a inventar estas coisas?!
Eu não repudio o léxico - tão necessário para enteder os grandes escritores -, mas toda vez que leio algo que não entento tenho que procurar em dois dicionários? E talvez até em um terceiro para tirar a prova dos nove?!
Me convençam, me convençam que frases como estas não deveriam ir para o lixo.
Por isso gosto dos poetas libados. Falam frases desconexas, não se alongam com uma idéia e normalmente esquecem o que fora dito logo que alvorece.
ESTÓRIAS INFANTIS
- Que legal essa estória pai, conta de novo!
- Eu também quero.
- Eu também.
- Conta, conta, conta, só mais uma vez.
- Tudo bem, eu conto, mas vou dar uma resumida porque já é cedo e vocês precisam dormir um pouco seu bando de sujinhos-do-cabelo-vermelho.....
(silêncio).
Quando Jesus Cristo era punk e todas as mães eram junkies, quando aparecer na igreja aos domingos de manhã era coisa que.......
sexta-feira, 17 de agosto de 2007
#
quinta-feira, 16 de agosto de 2007
Metrô

Chove e sob mundo, submundo
percorro a cidade
O silêncio reina na estação, já é tarde
O homem por trás do vidro não sorri
Entrega-me o bilhete feito máquina
As máquinas, é fato, não sorriem
Outrora trabalharam humanos aqui
Houve um tempo em que olhavam nos olhos
Nos olhos! É o que a lenda nos diz
Mas as máquinas por trás dos vidros
Não são pagas para serem gentis.
Chove e sob o mundo, as escadas rolam em vão
Pois desço à moda antiga, faço questão
Fortalecendo as pernas e a crença
De que posso viver sem a presença
Da civilização...pura ilusão
As placas gritam e obedeço
Nunca desça à guia!
Eu não desço
Devido a chuva, velocidade reduzida
E o meu consolo, diante das coisas sem vida
É que agora posso vê-la
A chuva que não será interrompida
Pois não há máquinas para contê-la.
terça-feira, 14 de agosto de 2007
Expurgo (alegro 629)
xadrez cavalo trepapiãopalacio
12pra12 tiro 0 pulso nos aqui
coisas do Pacheco gás-gueto
de a coluna tetraplégica “ kit para viver em mega cidades que são porta- aviões perdidos !!!!!!!! °°°°
****era ***** vez******32****22*****64****calças boca de sino
compra órgãos estado DE de preferência POETAS com A A CUCA BEM fresquinha < fresquinha<
IRVINGTON MASSACRE
terça-feira, 7 de agosto de 2007
O CAMINHO DE CONCEPCIÓN - I
domingo, 5 de agosto de 2007
quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Trocou de linha do metrô com a cabeça baixa e sono, na mesma linha da massa cinzenta que o rodeava, seguindo corredores e escadas rolantes assim como bois que caminham ao abate sem nada saber ou mugir.
Não era o abate ainda, e o novo vagão até que estava menos cheio. Encostado, o Rapaz fazia cara de parede enquanto passeavam as estações. Entra na história, sem avisar, uma fulana que entrou neste vagão numa dessas estações que passeavam: a Moça.
A Moça havia acordado cedo, não por caprichos de sonhos agitados, mas sim porque tinha consulta marcada num dos agiotas-mecânicos de sua saúde. Além da consulta, tinha sono também. Aquele sono ingrato de noites mal dormidas provocadas por festas e exageros alcoólicos que seus pais nem sabiam e patrocinavam, na falta de um emprego melhor. Pensava se faria algum estrago ao exame o desjejum farto feito à revelia das recomendações que o doutor lhe dera.
Mesmo em tão matutino horário andava caprichada, até com óculos escuros, nos túneis mal iluminados do metrô, que era pra esconder suas olheiras indisfarçáveis dos olhares alheios. Não ligava pra nada por ali e estava mesmo chateada dos maus humores da manhã até o momento em que entrou nas linhas daquele Rapaz.
A Moça, pendurada nos varais de apoio do vagão, olhava e examinava todas as dezenas de rostos que ali estavam, interrompendo tal exercício apenas quando encontrou os olhos do Rapaz, fixando-se por ali mesmo. Ele nada percebeu antes que ela recolhesse da face os óculos, permitindo que os olhares se cruzassem. A primeira coisa que reparou foram as olheiras e talvez nada mais, e ela continuava ali, fixa, sem pensar nem saber qual tipo de curiosidade ou sensação a prendia.
Conste-se que não havia o mínimo vestígio de “amor à primeira vista”, como nos filmes acontece, nem sequer alguma identificação entre eles. Simplesmente estavam ali, sem nenhuma explicação lógica, como em tudo na vida.
Primeiro foi ela que pulou dos varais, caminhou e colocou-se à frente do Rapaz que, sem surpresa, parecia já esperar tal jogada. Ele, o único movimento que fez foi observar os lábios da moça, detalhando sua textura e seu formato e como pareciam daqueles lábios bem cuidados que transformavam mentiras em verdades e homens em escravos.
Ela saiu ainda com os olhos fechados enquanto ele, imóvel, a seguia com os seus. Já na plataforma, voltou-se ao trem e já sentenciava, triste, que aquilo tudo era coisa de caso passageiro e encerrado, enquanto observava o Rapaz. De dentro, como se fosse num século inteiro que tocava o sinal que alerta do fechamento das portas, o Rapaz pensava nas conseqüências de qualquer movimento.
No último segundo, como dizem por aí, o Rapaz arremessou sua maleta na porta do trem, impedindo-a de fechar, e caminhou lentamente até a plataforma para depois retirá-la, à maleta, e acompanhou a Moça escadas rolantes acima.
O problema é que a porta não fechou. O operador do trem tentou, os funcionários da estação também tentaram e até os passageiros, mas ninguém conseguiu fechar aquela porta. Depois de sete minutos os passageiros foram convidados a sair e esperar o próximo carro e ficaram mais atrasados e mais irritados que o de costume. Nos locais de trabalho dos passageiros, os Patrões também ficaram mais irritados e mais impertinentes do que o de costume, por conta dos atrasos. Os do metrô que não tinham patrões perderam entrevistas de emprego, consultas médicas ou apenas a hora. Os passageiros que dormiam ou que estavam nos outros vagões e os dos outros trens, que não viram o que aconteceu, ficaram mais irritados do que aqueles que viram, e por falta de alguém pra cuspir todas as culpas, xingaram o presidente, o governador, o prefeito e a falta de atitude das “Pessoas, as velhas “Pessoas” que nunca fazem nada, os mesmos subterfúgios de sempre. Enfim, o dia seria outro sem essa história.
Imagina só o tamanho do colapso que aconteceria a este esquema de vida urbana ao qual estamos acostumados, caso os exemplares cidadãos que nos cercam resolvessem seguir os conselhos dos sonhos e desejos que lhes ocorrem todos os dias e que, na grande maioria das vezes, morrem nos travesseiros e em problemas psicológicos e de convivência, facilmente explicáveis por meros psicanalistas!
O autor, particularmente, gostaria de ver algo do tipo.

Ele gosta das pretas.
Por mais que me contradiga, que brinque com as brancas também, eu sei que ele gosta das pretas.
As brancas sempre começam, e a iniciativa intimida.
Eu? Contento-me em ser dama branca, em minha casa branca ao lado de um rei que sequer me procura, além do mais, é a batalha que me consome.
- Vai, meu peão, avança! Dê-me passagem que essa luta depende de mim. Desculpe, eu não sei seu nome, é que vocês são muitos e são tão parecidos. Broncos e lerdos, mas audazes. Capazes de dar a vida por um rei que não merece, por uma dama que nem sabe seu nome...
- É a guerra, súdito meu, alguém precisa morrer! Recebe esse fado, que ao chegar no outro reino, tem minha palavra, será quem quiser.
Mal profiro cristãs palavras de consolo, e um bispo vem me atacar. Meu Rei? Ele nem se importa, dança um roque com a torre, vai lá pro cantinho e se esquece de mim.
Destemida que sou, devasto o clero oponente, e o meu também. Se eu vencer essa peleja, farei um reino laico.
...
Eu queria mesmo...
O que eu queria mesmo era ser comida por um cavalo. Aquele que vem como se valsasse, num L de loucura, de luxúria, de libido.
Submersa no prazer, esqueço que minha vida é um jogo, não vale nada.
...
Não valeu! Ele me desconcentra, e acaba por me vencer.
Meu rei encurralado clama por meu nome. Eu, ressentida, pronuncio ao inimigo, àquele que joga com as pretas.
- Guarde o cheque, cavalheiro! Tome as jóias da coroa e mate aquele que há tempos morre em seu trono...
Chegada a hora de guardar as peças, convido afavelmente pra um duelo mais tarde.
E venço. Sem armas e bem longe do tabuleiro.
quarta-feira, 1 de agosto de 2007
CASO DE POLÍCIA
- Ei Senhor, aonde pensa que vai?
- Como, aonde pensa que vai? Vou para o trabalho, oras.
- Antes é preciso pagar a taxa.
- Taxa? Que taxa?
- O I.T.U, Imposto de Trajeto Urbano, serve tanto para pessoas que andam a pé como para quem anda de carro, bicicleta, cavalo, etc.
- Isso é inconstitucional, não vou pagar.
- É o que o senhor pensa, a lei é nova, foi aprovada ontem à noite no congresso, entrou em vigor hoje pela manhã.
- Não fui informado de nada.
- Passou na televisão, ta em tudo quanto é jornal, espera aí. - Então o homenzinho pegou um caderno de dentro de uma pasta e começou a anotar umas coisas.
- Posso saber o que está escrevendo?
- Estou apenas anotando nossa conversa. - Continuou escrevendo, destacou a folha e estendeu para o homem que esperava no portão da própria casa.
- O que é isso agora? - Perguntou sem entender o que fosse aquele papel azul na mão.
- Esse é o I.D.F, Imposto por Diálogo com Fiscal, aí embaixo ta o código de barras, basta que o senhor compareça em alguma agência do Banco do Brasil e efetue o pagamento até o final do dia, se deixar para pagar amanhã o valor dobra.
- Não pode ser, isso é um absurdo, vou chamar um advogado, vou processar esse governo maldito. Saia do meu portão agora, saia, já. O homenzinho então foi se afastando, anotando mais coisas no talão de taxas, parou uns vinte metros dali, telefonou para alguém e ficou esperando. Enquanto isso o outro já tinha entrando novamente na casa e agora falava por telefone com um advogado. Passaram-se cerca de 20 minutos, um carro da polícia surgiu em disparada dobrando a esquina, pararam bem em frente a casa de numero 45.
- É essa mesmo, podem entrar. - apontou o fiscal. Os policiais arrebentaram a porta e entraram procurando o homem que não queria pagar impostos. Esse acabara de desligar o telefone.
- O que esta havendo, o quê foi dessa vez?
- Cala essa boca, delinqüente, está preso por não quitar suas dividas com o governo e por desacato à autoridade. Saiu de casa esperneando e gritando, quatro homens o carregaram até o camburão, o jogaram lá dentro. Antes que saíssem à caminho da delegacia, veio descendo a rua o seu advogado com uma mala na mão. Estou salvo. Pensou. O advogado ficou ali algum tempo conversando com o fiscal, depois falou com os policiais, eles então abriram a porta do camburão, o advogado tirou de dentro da mala um talão, anotou umas coisas e entregou novamente para o homem.
- O que é isso? Ele perguntou ainda dentro da viatura.
- Esse é o I.S.A, Imposto de Serviço de Advogado. Quando efetuar o pagamento nós conversamos. Então os policiais abaixaram a porta da viatura com força, entraram os quatro, o carro saiu acelerando, fazendo curvas em duas rodas, lá dentro o homem se debatia de um lado para o outro. Mais cinco minutos e estariam na delegacia.